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ciência dos remedios psiquiátricos

Podemos confiar na ciência por trás dos remédios psiquiátricos? Mas antes de tudo:

O que é ciência?

Essa historinha ilustra bem:

Um marceneiro, um professor escolar e um cientista estavam viajando de ônibus, indo de São Paulo pra Belo Horizonte, quando eles viram uma ovelha negra pela janela do busão. 

“Aha!”, disse o marceneiro com um sorriso, “Então as ovelhas mineiras são negras.”

“Hum”, disse o professor escolar, “Você quer dizer que algumas ovelhas mineiras são negras.”

“Não”, disse o cientista secamente, “O que todos nós sabemos é que há pelo menos uma ovelha em Minas Gerais  e que pelo menos um dos lados dessa ovelha é escuro.”

Um cientista tem esse olhar lógico, racional e neutro, mas só isso não basta. A metodologia é essencial na ciência:

Para se fazer ciência há que se seguir o método científico, onde busca-se padrões repetitivos, e não só o acúmulo de dados”, segundo Robert H. MacArthur da Geographical Ecology

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Ou seja, a ciência segue esse método científico para se chegar a uma conclusão sobre algo.

Método Científico

Esse método, a grosso modo, é um conjunto das seguintes normas básica:

  • Definir o problema
  • Recolhimento de dados
  • Proposta de uma ou mais hipóteses
  • Realização de uma experiência controlada, para testar a validade da(s) hipótese(s). (esse experimento tem que ser replicável)
  • Análise dos resultados
  • Interpretar os dados e tirar conclusões, o que serve para a formulação de novas hipóteses
  • Publicação dos resultados em monografias, dissertações, teses, artigos ou livros reconhecidos pela comunidade científica         (Fonte: Wikipedia)

Cientistas são seres humanos (Oh!)

Além desse método científico, é necessário que os cientistas tenham a ausência de preconceitos e juízos de valor, como os cientistas abaixo:

De todos os temas, a ciência sozinha contem em si a lição do perigo de crença na infalibilidade dos maiores professores da geração precedente… Na verdade, eu também posso definir ciência de outro modo: Ciência é a crença na ignorância dos especialistas.”  Richard Feynman, Ganhador do Nobel de Física  (citação na American Scientist de 1999).

Nós [cientistas] não identificaríamos a verdade se ela pulasse e nos desse uma mordida na bunda. Nós provavelmente somos razoavelmente bons em reconhecer o que é falso, e isso é o que a ciência faz diariamente, mas nós não podemos afirmar que identificamos a verdade.” Dr. Steven M. Holland, Professor de Geologia da Universidade de Georgia

Twittável:"Ciência é a crença na ignorância dos especialistas” 
Richard Feynman @anamariasaad

ciencia

A ciência não sabe “de um tudo”

Você percebe que a ciência não é a dona da verdade?

Podemos até dizer que a ciência é apenas um modo de se pensar, porque tudo está em constante evolução no mundo, logo a própria ciência se autocorrige a todo momento: o que é divulgado hoje em publicações científicas, amanhã pode ficar obsoleto.

E cientistas de verdade tem a mente aberta e neutra, eles não querem provar suas teses pessoais, tipo:

  • “Eu melhorei com florais, então vou provar que eles funcionam cientificamente.”
  • “Eu tenho um medicamento que o mercado precisa, então vou provar cientificamente que ele funciona.”

As abordagens acima são tendenciosas e nada científicas. Uma pessoa com vontade de provar suas teses e hipóteses acaba praticando a pseudo-ciência, se valendo de brechas no mundo científico.

Pseudociência é chic!

Essas brechas no mundo científico facilitam a embalagem científica de produtos e serviços a fim de obter aprovação oficial e, então, social.

Infelizmente isso tem acontecido demais na nossa sociedade “muderna” porque é sinal dechiqueza” e inteligência hoje em dia “acreditar na ciência” e dizer “eu sou cético”.

Mas muitas dessas pessoas que enchem a boca pra falar que são céticas, na verdade são cheias de pré-conceitos e ignorância sobre determinado assunto, e ao invés de assumir a própria ignorância e seus preconceitos, elas travestem ambos com a palavra “cético”, porque é chic!

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O verdadeiro cético não só duvida de tudo, mas ele questiona inclusive aquilo que está estabelecido como fato.

E o que vemos hoje são muitos profissionais da saúde que se dizem céticos, mas apenas engolem tudo o que a pseudo-ciência os enfia goela abaixo, com seus estudos tendenciosos aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration), que é tipo a Anvisa americana, mas mais poderosa.

Podemos confiar na ciência por trás dos remédios psiquiátricos?

Claro que não, porque não podemos confiar no modo como os remédios são aprovados pelo FDA. Veja esse post onde explico direitinho as falhas do FDA.

Mas isso quer dizer então que não se deve tomar remédios psiquiátricos?

Claro que não, não vamos ser 8 ou 80, afinal somos inteligentes, não?

Vamos ponderar e saber que é preciso ter mega claro que os remédios tipo antidepressivos e reguladores de humor, não deveriam ser o item principal no tratamento psiquiátrico, como é de praxe hoje em dia.

Para saber detalhes assista logo abaixo a esclarecedora palestra do TED: “O seu cérebro é mais do que um saco de substâncias químicas do cientista neurobiólogo David Anderson (a transcrição da palestra está logo no final do post).

David é pesquisador no California Institute of Technology, um centro universitário de pesquisa, e também no Howard Hughes Medical Institute, um centro de pesquisa médica que existe desde a década de 50. Ele estudou com 2 laureados pelo Nobel, Gunter Blobel e Richard Axel.

Nessa palestra, David Anderson explica tin tin por tin tin sobre o funcionamento cerebral e a ação dos remédios psiquiátricos, e faz um alerta: é necessário REVER O TRATAMENTO dos transtornos mentais.

É isso lindeza, e agora me diga nos comentários abaixo:

Você toma remédio psiquiátrico? Se sim, quem te prescreveu? Depois de quantas consultas você recebeu essa prescrição? E você está melhor com o tratamento que está recebendo?

Me conta sua experiência nos comentários abaixo, lembre que aqui já somos uma comunidade onde pessoas vem buscar conforto, conhecimento e inspiração, logo sua vivência pode ser exatamente o que alguém precisa pra se sentir confortado e compreendido.

IMPORTANTE: compartilhe seus pensamentos e experiência diretamente nos comentário. Links para outros posts, vídeos, etc, serão deletados porque são identificados como spam.

Gracias por nos visitar!

E lembre que bost#@s acontecem na vida, faz parte e você não tem controle sobre isso. Mas você pode controlar o modo de encarar essa merd#@ toda. Eu te convido a usá-la como adubo para seu crescimento interno, topa o desafio

Gifs: Feitos por amigos

Transcrição da palestra de David Anderson: “O seu cérebro é mais do que um saco de substâncias químicas”

0:11 “Portanto, levante a mão quem conhecer alguém na sua família ou círculo de amigos que sofra de algum tipo de doença mental. Pois. Bem me parecia. Não me surpreende.

0:23 E levante a mão quem achar que a investigação fundamental às moscas da fruta tem alguma coisa que ver com a compreensão das doenças mentais nos humanos. Pois. Bem me parecia. Também não me surpreende. Já vi que nem tenho alternativa senão explicar melhor.

0:39 Como ouvimos o Dr. Insel dizer esta manhã, os distúrbios psiquiátricos, como o autismo, depressão e esquizofrenia contribuem imenso para o sofrimento humano. Sabemos muito menos sobre o seu tratamento e a compreensão dos seus mecanismos básicos do que sabemos sobre as doenças do corpo.

Pensem nisto: Em 2013, a segunda década do milenio, se estiver preocupado com um diagnóstico do cancro e for falar com o seu médico, ser-lhe-ão feitas cintigrafias ósseas, biopsias e análises ao sangue. Em 2013, se estiver preocupado com um diagnóstico de uma depressão, vai ter com o seu médico e o que é que lhe é dado? Um questionário.

Uma parte da razão pela qual isto acontece é que nós temos uma perspetiva demasiado simplificada e cada vez mais ultrapassada das bases biológicas dos distúrbios psiquiátricos. Nós costumamos vê-los — e a imprensa popular sustenta e incentiva esta perspetiva — como desequilíbrios químicos no cérebro, como se o cérebro fosse uma espécie de sopa química cheia de dopamina, serotonina e norepinefrina.

Esta perspectiva é condicionada pelo facto de que muitas das drogas que são receitadas para tratar estes distúrbios, como o Prozac, atuam ao alterar a química cerebral de forma global, como se o cérebro fosse, de facto, uma sopa química. Mas essa não pode ser a resposta, porque estas drogas, na verdade, não funcionam assim tão bem.

Muitas pessoas não as querem tomar, ou interrompem os tratamentos, graças aos seus efeitos secundários desagradáveis. Estas drogas têm imensos efeitos secundários porque usá-las para tratar um distúrbio psiquiátrico complexo é um pouco como tentar mudar o óleo do seu motor abrindo uma lata e despejando-a por cima do motor todo. Uma parte irá cair no lugar certo, mas a maioria irá fazer mais mal que bem.

2:26 Agora, uma nova perspetiva que também ouviram da boca do Dr. Insel, esta manhã, é a de que os distúrbios psiquiátricos são, na verdade, distúrbios de circuitos neuronais que fazem a mediação entre as emoções, humor e afeto. Quando pensamos na cognição, comparamos o cérebro a um computador. Isso não é um problema.

Bem, a verdade é que a analogia com os computadores é igualmente válida para as emoções. Nós é que não costumamos pensar nelas dessa forma. Mas sabemos bastante menos sobre a estrutura do circuito dos distúrbios psiquiátricos por causa do domínio esmagador que esta hipótese de desequilíbrio químico tem.

3:04 E não quer dizer que os químicos não são importantes nos distúrbios psiquiátricos. A verdade é que estes não banham o cérebro, como sopa. Em vez disso, estes são libertados em áreas específicas e atuam em sinapses específicas de forma a alterar o fluxo de informação no cérebro.

Portanto, se algum dia quisermos mesmo perceber a estrutura biológica dos distúrbios psiquiátricos, teremos de identificar as áreas no cérebro onde estes químicos atuam. Caso contrário, continuaremos a despejar óleo por cima de todo o nosso motor mental e a sofrer as consequências.

3:40 De forma a começar a ultrapassar a nossa ignorância quanto ao papel da química cerebral nos circuitos cerebrais, é importante trabalhar naquilo que nós, biologistas, chamamos de “organismos modelo”,animais tais como a mosca da fruta e os ratos de laboratório nos quais podemos aplicar técnicas genéticas fortíssimas para identificar e localizar a nível molecular as classes específicas de neurônios,como ouviram falar na palestra do Allan Jones, esta manhã.

Além disso, assim que o conseguirmos fazer, poderemos ativar, na verdade, neurônios específicos ou poderemos destruir ou inibir a atividade desses neurônios. Portanto, se inibirmos um tipo específico de neurônios, e descobrirmos que um comportamento foi bloqueado, podemos concluir que esses neurônios são necessários para esse comportamento.

Por outro lado, se ativarmos um grupo de neurônios e encontrarmos aquilo que produz o comportamento, podemos concluir que esses neurônios são suficientes para o comportamento. Então, desta forma e ao fazer este tipo de testes, poderemos estabelecer relações de causa e efeito entre a atividade de neurônios específicos em circuitos e em comportamentos específicos, o que é algo extremamente difícil, senão impossível, de fazer agora em humanos.

4:54 Mas poderá um organismo, tal como a mosca da fruta, que é — é um ótimo organismo modelo porque tem um cérebro pequeno, é capaz de comportamentos complexos e sofisticados, multiplica-se rapidamente e é barato. Mas poderá um organismo como este ensinar-nos algo sobre estados emocionais? Será que estes organismos têm estados emocionais, sequer, ou serão apenas pequenos robôs digitais?

5:21 Charles Darwin acreditava que os insetos têm emoções e que as expressam nos seus comportamentos, tal como escreveu na sua monografia de 1872 sobre a expressão das emoções no homem e nos animais. E o meu colega epônimo, Seymour Benzer, também acreditava nisso.

O Seymour foi o homem que começou a usar drosófilas aqui na CalTech, nos anos 60, como organismo modelo para estudar a relação entre os genes e o comportamento. O Seymour recrutou-me para a CalTech no final da década de 80. Ele era o meu mestre Jedi e espiritual enquanto aqui esteve, e o Seymour ensinou-me não só a adorar as moscas, como também a brincar com a ciência.

5:59 Então, como colocamos esta questão? Uma coisa é acreditar que as moscas têm estados emocionais, mas como descobrimos, de fato, se isso é verdade ou não? Ora, nos humanos costumamos deduzir os estados emocionais, como irão ouvir mais à frente, a partir das expressões faciais.

No entanto, é um pouco complicado fazer isso com moscas da fruta. (Risos) É um pouco como aterrar em Marte e olhar através da janela da sua nave espacial para todos os homenzinhos verdes em redor e tentar perceber, “Como descubro se têm emoções ou não?” O que podemos fazer? Não é assim tão simples.

6:41 Bem, uma das formas de começar é tentar reunir algumas caraterísticas ou propriedades gerais de estados emocionais, tal como a excitação, e ver se conseguimos identificar algum comportamento nas moscas que possa exibir alguma dessas propriedades. Portanto, três dos mais importantes que me ocorrem são a persistência, as gradações de intensidade e a valência.

A persistência significa elevada durabilidade. Todos sabemos que o estímulo que ativa uma emoção causa a persistência dessa emoção bem depois de ter passado o estímulo. As gradações de intensidade significa aquilo a que soa. É possível aumentar ou diminuir a intensidade de uma emoção.

Se estiver um pouco infeliz, os cantos da sua boca apontam para baixo e você começa a fungar, e se estiver muito infeliz, começam a escorrer lágrimas pela sua cara e poderá soluçar. A valência significa bom ou mau, positivo ou negativo.

7:40 Então, decidimos ver se as moscas poderiam ser provocadas a mostrar o tipo de comportamento que costumamos ver na vespa proverbial na mesa de piquenique. Aquela que volta sempre ao seu hambúrguer, e com cada vez mais vontade a cada palmada sua, e que parece ficar cada vez mais irritada. Portanto, construímos um dispositivo, o “tapete de sopros”, através do qual podíamos dar pequenos sopros de ar às moscas da fruta nestes tubos de plástico na nossa bancada de laboratório e enxotá-las.

E o que descobrimos foi que se déssemos a estas moscas vários sopros de seguida no tapete de sopros, elas tornavam-se, de alguma forma, hiperativas e continuavam a andar às voltas algum tempo depois de os sopros terem parado, levando algum tempo para se acalmar.

Então, quantificamos este comportamento utilizando uma aplicação personalizada de seguimento da locomoção, desenvolvida pelo meu colaborador, Pietro Perona, o qual trabalha na divisão de engenharia elétrica, aqui na CalTech.

E o que esta quantificação nos mostrou é que, após sentirem uma sequência destes sopros de ar, as moscas pareciam entrar numa espécie de estado de hiperatividade que é persistente, duradouro, e que parece ser graduado. Mais sopros, ou sopros mais intensos, fazem o estado durar por um período de tempo maior.

9:00 E foi aí que quisemos tentar perceber algo sobre o que controla a duração deste estado. Então, decidimos usar o nosso tapete de sopros e a nossa aplicação de seguimento automatizada para analisar e fazer a triagem entre centenas de linhas de mutações de moscas da fruta para ver se conseguíamos encontrar alguma que apresentasse respostas anormais aos sopros de ar.

E esta é uma das coisas incríveis sobre as moscas da fruta. Existem repositórios onde basta pegar no telefone e encomendar centenas de frascos de diferentes mutações de moscas e filtrá-las na sua análise para depois descobrir qual é o gene afetado na mutação. Então, durante uma triagem, descobrimos uma mutação que levou bastante tempo a acalmar-se depois dos sopros de ar, e quando examinamos o gene que foi afetado nesta mutação, este afinal codificava um receptor de dopamina.

Isso mesmo — as moscas, tal como as pessoas, têm dopamina, e esta atua nos seus cérebros e nas suas sinapses através das mesmas moléculas receptoras de dopamina que todos nós temos. A dopamina desempenha varias funções importantes no cérebro, inclusivamente na atenção, excitação, recompensa, e os distúrbios no sistema de dopamina foram relacionados a um conjunto de distúrbios mentais, incluindo o abuso de drogas, Parkinson e o Transtorno de Défice de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

10:19 Agora, em genética, existe um pequeno contrassenso. Nós costumamos inferir a função normal de algo através do que não acontece quando o removemos, através do oposto do que observamos quando o removemos. Portanto, quando removemos o receptor de dopamina e as moscas levam mais tempo a acalmar, a partir daí inferimos que a função normal deste receptor e da dopamina é fazer as moscas acalmar mais rapidamente após o sopro.

E isso faz lembrar um pouco o TDAH, o qual foi relacionado com distúrbios do sistema de dopamina em humanos.

De facto, se aumentarmos os níveis de dopamina em moscas comuns ao dar-lhes cocaína depois de obter a licença legal apropriada — meu Deus! — (Risos) — descobrimos que, de facto, estas moscas alimentadas com cocaína se acalmam mais rapidamente que as moscas normais, o que também faz lembrar o TDAH, o qual costuma ser tratado com drogas como a Ritalina que atuam de forma semelhante à cocaína.

Aos poucos comecei a aperceber-me que o que começou como uma tentativa bastante engraçada de chatear moscas da fruta poderá, na verdade, ter alguma relevância para um distúrbio psiquiátrico humano.

11:31 Agora, até onde vai esta analogia?

Como muitos de vocês sabem, os indivíduos que sofrem de TDAH também têm dificuldades de aprendizagem. Isso acontece nas nossas moscas com mutação do receptor de dopamina? Surpreendentemente, a resposta é sim. Como o Seymour demonstrou nos anos 70, as moscas, assim como as aves canoras, tal como ouviram, são capazes de aprender.

É possível treinar uma mosca a evitar um odor, representado aqui a azul, se associar esse odor a um choque. Depois, quando der a essas moscas treinadas a oportunidade de escolher entre um tubo com o odor associado ao choque e outro odor, estas irão evitar o tubo que contém o odor azul que foi associado aos choques.

Bom, se fizer este teste em moscas com mutação do receptor de dopamina, elas não aprendem. Os seus resultados de aprendizagem são nulos. Elas foram expulsas da CalTech.

12:19 Então, isso significa que estas moscas têm duas anomalias, ou fenótipos, como nós, geneticistas, lhes chamamos, que se encontram no TDAH: hiperatividade e dificuldade de aprendizagem. Ora, qual é a relação causal, se é que existe, entre estes fenótipos?

Na TDAH, é costume assumir-se que a hiperatividade causa a dificuldade de aprendizagem. As crianças não conseguem sentar-se durante tempo suficiente para se concentrarem, então não aprendem. Mas é igualmente possível que sejam as dificuldades de aprendizagem a causar a hiperatividade.

Como as crianças não conseguem aprender, procuram outras coisas para distrair a sua atenção. E uma última hipótese é a de que não existe relação alguma entre as dificuldades de aprendizagem e a hiperatividade, mas que estas são causadas por um mecanismo subjacente comum no TDAH.

13:06 Ora, as pessoas têm vindo a questionar isto há muito tempo em humanos, mas nas moscas podemos mesmo testá-lo. E a forma de o fazermos é mergulhar profundamente na mente da mosca e começar a desemaranhar os seus circuitos utilizando a genética.

Nós pegamos nas nossa moscas com mutação no receptor de dopamina e restauramos, ou curamos, o receptor de dopamina ao colocar uma cópia correta do gene receptor de dopamina de volta no cérebro da mosca. Mas em cada mosca, colocamo-lo de volta apenas em certos neurônios e não noutros, e depois testamos em cada uma destas moscas a sua capacidade de aprender e a sua hiperatividade.

13:43 Por incrível que pareça, descobrimos que podemos dissociar por completo estas duas anomalias. Se pusermos de volta uma cópia correta do receptor de dopamina nesta estrutura elíptica chamada de complexo nuclear, as moscas deixam de ser hiperativas, mas continuam a não conseguir aprender.

Por outro lado, se pusermos o receptor de volta numa estrutura diferente chamada de corpora pedunculata, o défice de aprendizagem é recuperado, as moscas aprendem bem, mas continuam hiperativas. O que isso nos diz é que a dopamina não está a banhar o cérebro destas moscas como sopa.

Em vez disso, está a agir para controlar duas funções diferentes em dois circuitos diferentes. Portanto, a razão pela qual existem dois problemas com as nossas moscas do receptor de dopamina é que o mesmo receptor controla duas funções diferentes em duas regiões diferentes do cérebro.

Se a mesma coisa se verifica na TDAH nos humanos, não sabemos. Mas este tipo de resultados deveriam, pelo menos, levar-nos a considerar essa possibilidade.

14:37 Portanto, estes resultados fizeram-me a mim e aos meus colegas ficar mais convencidos que nunca que o cérebro não é uma sopa química, e que é um erro tentar tratar distúrbios psiquiátricos complexos ao mudar apenas o sabor da sopa.

Aquilo que precisamos fazer é usar a nossa criatividade e conhecimento científico para tentar criar uma nova geração de tratamentos que são direcionados a neurônios específicos e a regiões específicas do cérebro que são afetadas em distúrbios psiquiátricos específicos.

Se conseguirmos fazer isto, poderemos ser capazes de curar estes distúrbios sem os efeitos secundários indesejados.

Pôr o óleo de volta nos nossos motores mentais, apenas onde é necessário.

Muito obrigado.”

Categorias: Cura

Ana Maria Saad

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